
Estou sozinha nessa cidade. Sozinha, sem família, sem mestres, sem suporte emocional. Isso torna tudo muito mais profundo. Profundo de abismo e de mistério. Olho pra trás e me vejo tão criança, tão amada, tão cheia de amigos. Mas a guerreira é um tanto solitária em sua busca. Ela tem aliados naturais e sobrenaturais, fala com as fadas e com o espírito dos animais. Também tem fome e é mundana. Estou apenas unindo essas duas partes.
Essencial é não sentir medo do que possa aparecer quando se aceita a si mesma despida de todos os conceitos pré-existentes. Nietzsche disse “Tenha cuidado que ao se livrar dos seus demônios, também se livre do que há de melhor em você”
Pois bem, me deparei com a solidão. Mas uma solidão que fala o tempo todo. Porque ao invés da solidão não me deparei com o silêncio? Teria sido mais fácil.
Dan Millman, diz que o caminho do guerreiro pacífico não é um caminho de recompensas. Então me deparo com uma solidão que me diz que tenho que dormir quando não estou cansada, ou que tenho que ligar quando não quero conversar com ninguém? Mas ela também diz que tenho que fazer auto massagem de noite, e que não devo me preocupar em excesso com ela, porque meu mapa astral é totalmente social. Tenho convivido com a gostosa evidência de que nada é permanente.
Então tenho esse livro “A sabedoria do guerreiro pacífico”, que consumo em doses homeopáticas, que diz exatamente que não se deve confiar nos livros, mas sim na sabedoria que se adquire através deles levando tudo pra ação.
It fits me perfectly. E como estou mudando para a ação, recrutei a solidão pra me ajudar a encaixotar os conceitos.
Encaixotar sim, porque ainda vou precisar consultá-los vez ou outra. Gostaria de queimá-los, mas sou tão humana, e tão urbana, que ainda preciso deles. No meu caso só a ação liberta. Como devo começar? Bem, me atirando nesse abismo de cabeça.
Um, dois, já!
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